quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O Tráfego e a Elite

Assisti ao filme que está causando burburinho nos habitantes do Impávido Colosso: Tropa de Elite. Quanto ao filme, uma boa produção, com muito sangue e violência, personagens cuja corrupção e ausência de valores morais são uma constante, e evidencia uma das máximas que gosto muito, e que se aplica perfeitamente nesse caso: quanto mais conheço os homens, mais admiro os cães, Lord Byron. Os cães, aliás, que conhecem tão bem a felicidade... De qualquer forma, tudo dentro do que a realidade tupiniquim nos apresenta. A própria realidade tornou-se subsídio para um entrelienar digno do cinema estadunidense, ainda que muito superior a este.

Algumas coisas são fantasiosas, como o fato de sugerir que apenas uma categoria policial é incorruptível. Quer dizer que um policial comum é corrupto por definição? Para fazer parte desse segmento restrito, o sujeito deve passar por testes pesados e insanos, esquecer de si e torna-se imerso na arte da estratégia militar, de modo a mostrar o seu (des)valor e fazer jus a participar do grupo de super-heróis especializados em manter a ordem nas favelas da Cidade (outrora) Maravilhosa. E, naturalmente, deve agir com a mesma amoralidade dos famigerados bandidos: torturar e matar quem estiver no caminho e for meio para o fim em suas operações especiais. Muitas vezes, pessoas inocentes, ou simplesmente usuários de drogas ilícitas, são simples pedrinhas no caminho a atrapalhar um objectivo maior.

E pensando nisso comecei a me questionar sobre o porquê deste estado de coisas, e uma dúvida me arrebatou fortemente: se a causa desta guerra civil é o tráfego de drogas ilícitas, o que ocorreria se tais substâncias fossem legalizadas, isto é, se não houvesse mais razão para existir tráfego, porque drogas como maconha(?), cocaína, heroína, crack etc. estariam disponíveis à venda em qualquer supermercado?!

Acredito ser ilusório e infantil julgar que algum dia as pessoas deixassem de consumir tais drogas. Filosoficamente, o sujeito deixa a sua realidade opressora, sem sentido e bestial em busca de uma transcendência que seja libertadora e produza uma rápida sensação de alívio para suas dores mais profundas. É ilusório, como se sabe. Mas a vida mesmo, tal como a concebemos, não é uma enorme ilusão?! Assim penso eu nas razões para tal comportamento. Tal necessidade está além do convívio social, e os esforços para combater tal situação são inúteis e apenas ajudam a alimentar a disputa por poder e território.

Na verdade, o Monstro Frio pensa que pode determinar o que é certo, ou errado. Cigarros e bebidas alcoólicas são permitidos, ao passo que um simples baseado é proibido! Isso beira a hipocrisia, além de ser ridículo. Como princípio, sustento que algo que somente a mim cause prejuízo não compete a ninguém, muito menos ao Monstro Frio, predizer o que é permitido ou não. Alguns podem balbuciar: o mundo seria um caos se permitissem que todos usassem drogas ilícitas, porque muito mais pessoas passariam a consumir. Mas o mundo já não é um caos com tal proibição?! E, além disso, se julgarmos dessa forma, teríamos de aceitar que muitas pessoas não o fazem simplesmente por medo de possíveis conseqüências, e não por convicção pessoal dos malefícios causados. Vejo vários benefícios diretos da liberação, como a produção de uma droga com controle de qualidade, logo com menores chances de morte por overdose, arrecadação de impostos (isso o Monstro Frio adora!) recorde e, finalmente, a diminuição ou até extinção da guerra do tráfego.

Por que tal mudança não é sequer cogitada pelos porcos do Impávido Colosso? Por que tal idéia causa repúdio e aversão a muitas pessoas? Como louquejar, quando uma idéia parece muito absurda e causa repulsa, há algo ali que tem a sua porção de verdade, que não quer calar! Eu, que encontrei no consumo de chás uma forma de transcendência, gostaria de viver numa sociedade na qual as pessoas pudessem ao menos pensar num espectro mais amplo em possibilidades para a resolução efectiva de seus problemas. Porque simplesmente pensar que uma polícia como a do BOPE seja solução para alguma coisa é passar atestado de estupidez em nível demencial.

Namaste!
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Tropa de Elite (2007)

» Direção: José Padilha
» Roteiro: Rodrigo Pimentel, Bráulio Mantovani e José Padilha
» Gênero: Ação
» Origem: Brasil
» Duração: 118 minutos

» Sinopse: Um capitão do BOPE quer deixar o posto e busca um substituto, ao mesmo tempo em que 2 amigos se destacam por sua honestidade como policiais. Dirigido por José Padilha (Ônibus 174) e com Wagner Moura e Caio Junqueira no elenco.

Fonte: Adoro Cinema

2 comentários:

Nils disse...

Are you really in Papua?

Advocatus Diaboli disse...

Eu não, meu alter ego. O blog é dele, hehehehe