quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A Felicidade como Princípio para uma Existência Débil

Dando um início efetivo as divagações que aqui me proponho divago a respeito do que chamei no post intro de felicidade como princípio para uma existência débil. É senso comum para a maioria dos mortais que o objetivo final de sua existência resume-se no enfadonho: quero ser feliz! Pois digo com todas as letras: a felicidade tal como a concebemos é um engodo! Uma farsa! Um sujeito que desejar ser feliz será, necessariamente, infeliz.

Mas como?! Primeiro é preciso conceituar a felicidade. Acredito que isso seja uma tarefa difícil, mas vamos lá: aquele sentimento de satisfação e bem-estar, uma mistura de leve excitação e contentamento; são possíveis simplificações para a felicidade nos termos que hoje vejo. Pois bem: me parece que todos buscam obter estes sentimentos, numa busca incansável por momentos que são, em essência, efêmeros. Ao buscar tais sensações e atingi-las, podemos ser felizes por breves momentos, mas já aí a massa crítica que nos comanda necessariamente nos fará cair do arranha-céus encantado de nossa suposta felicidade. A própria vida em si carece de significado; ao longo dos anos, ao que me parece, a humanidade busca tal conceito em fatores externos, especialmente nas religiões. A felicidade estava transposta no além-vida, e todo sofrimento mundano seria recompensado no futuro (esse é outro engodo, que futuramente abordarei). Hoje, ao transpor o conceito para o que é terreno e mundano, deparamo-nos com tal situação.

Um animal do tipo irracional, como um gato ou cachorro, apesar de domesticado pelo homem, é o que melhor conhece a felicidade. Nele, tudo é momento e tudo é pequena satisfação. Nele, não estão presentes o anseio da morte, tampouco o turbilhão de sentimentos que nos norteiam, com suas dúvidas, medos, incertezas etc. O bicho homem sofre porque sabe que vai morrer. Se eu não soubesse a priori que morreria um dia, não teria uma chance maior de ser feliz? Uma brisa eternizada ao amanhecer de um dia ensolarado: eis como defino a felicidade. Mas a vida é cruel e sangra por todos os lados e não oferece escolhas. É um devir enlouquecedor.

Assim sendo, o que recomendo a quem quiser ser feliz é isto: torna-te um cachorro! Quem consegue ter a ousadia de invejar um cachorro? Do contrário, riscar este falso ideal da lista de objectivos existenciais é o que de melhor se possa fazer. É possível ainda discutir o conceito de felicidade, tentando diferenciá-lo do senso comum. Sou da opinião que quando um termo é massivamente utilizado pela patuléia perde o significado e torna-se vazio. Assim, refutá-lo é uma opção sobretudo de coragem.

Como uma vez alguém cantou: mas louco é quem me diz que não é feliz, eu sou feliz... de fato, prefiro ser um mutante louco a possuir o fardo de necessariamente ser feliz.

Viva! Agora me sinto menos pesado.

Viva! Agora vejo um horizonte.

Viva! Agora posso ser folha e me eternizar numa brisa ao sol nascente.

Namaste!

3 comentários:

Adriana disse...

Entendo o seu questionamento assim: parece que é o último pacote da net que iremos adquirir: a felicidade... não é?
Bem, a felicidade, essa palavra que eu ainda acho bonita, pode ter sido deturpada pelo uso de tantos chavões, mas apesar disso, prefiro pensar e até dizê-la com um peso de leveza, sem pretender atingir a magnitude que lhe é atribuída. Mas simplesmente dizer com humor pueril vez em quando: Ái, vamo parar de discutir por isso e ser feliz! Sabe que é bom brincar disso? E tb gosto de dizer ela com significados pessoais, tipo: ái, eu to feliz, esse dia de sol mudou a minha vida...

Ps: Esse cachorro com cara de gente me deixou triste...
Ps 2:Até que enfim vc tomou uma atitude e resolveu dividir suas idéias, trocar impressões...

Adriana disse...

Hehehe, acabo de sair do chá, acho que por efeito alucinógeno ;), e me deparo com um artigo que remete ao texto do Quintana, não aguentei, boto aqui um pedaço:

"FELICIDADE REALISTA, de Mário Quintana"

Diz o texto:
”A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão!

Rafael disse...

Felicidade nunca pode ser o fim, mas apenas a consequência. A felicidade por si só, nada mais é do que a sensação de que cumprimos com o nosso objetivo, que é algo maior que felicidade.